terça-feira, 3 de abril de 2018

Cenário político brasileiro na perspectiva Jorgiana





Sobre a discussão anterior ao kefir quero colocar alguns pontos:

Primeiramente: fora temer hahahah, zueiras a parte.

Primeiramente, nenhuma mídia é imparcial (fato) e logo, é tendenciosa. Então a grande questão é se a mídia é, portanto, apenas tendenciosa ou manipulativa. Ou seja, se fatos são omitidos e/ou mentidos (manipulativa) ou não (tendenciosa). O fato de tender para um lado ou outro é uma consequência conjunta do próprio texto e do acervo do leitor, e deve acabar aí... na tendência.. os dois “cafe brasil” postados (um sobre armamento civil e a (in)segurança pública e outro sobre as bandeiras das "minorias") são manipulativos, independente do resultado ser real ou não ele é manipulado. Não estou dizendo que estão errados, mas vamos aos pontos: o índice de violência e homicídios por arma de fogo nunca reduziram (esse número sempre cresceu) assim como a população absoluta também sempre cresceu, ou seja, é normal (da curva de normalidade) homicídios e população crescerem juntos, politicas de segurança pública e diminuição de diferenças sociais devem trabalhar em tentar equilibrar este índice, a priori. Quando analisamos os dados do mapa da violência de 2017 no que se refere aos homicídios por armas de fogo (haf) vemos que ate 2004 este índice veio crescendo exponencialmente sendo que de 2003 a 2004 a taxa de crescimento deste índice foi de 8.1%, logo, teve um aumento de 8,1% de um ano para outro, assim, se em 2003 morreram 100 pessoas, em 2004 morreram 108. E é só nesse número que as políticas públicas conseguem influenciar, não se pode reduzir tanto a violência ao poto de diminuir os números brutos, deve-se trabalhar com taxas e as taxas dizem que de 2004 ate o presente momento (2016 no caso do mapa da violência) a taxa de crescimento dos haf tiveram recessões seguidas começando com uma taxa de - 6,06% ou seja se na passagem de 2003 para 2004, 108 pessoas morreram por haf, a projeção seria para 2005 mais 8,1% de 108 (incremento de 8,9) totalizando 117 haf. Porém isso não aconteceu, o que aconteceu foi um número de 110. Ou seja, quando comparamos os anos dizemos que o número absoluto aumentou pois parece obvio, mas não é verdade. Pois a taxa de crescimento foi negativa, isto é bem difícil de entender e calcular mas os dados verdadeiros estão no mapa da violência e os índices e taxas também, mas ninguém presta atenção, por ser muito mais fácil acessar as mídias sócio-informais. Os índices reais são estes:












*A última imagem mostra o crescimento do uso de arma de fogo nos homicídios, e novamente, o número é grande, mas estabilizado, olha o histórico em questão e como estagnou.

Claro que seria melhor ter uma redução nos números absolutos, mas isso é impossível, ou, pelo menos, nunca aconteceu em nenhum lugar do mundo, não nessas proporções. Então todos os argumentos que ele (café brasil) cita usando estes números absolutos como base caem por terra. Mesma coisa acontece com as prisões quando ele cita que devem construir mais prisões e ridiculariza os "defensores de bandido". Isso eu vou justificar aproveitando pra refutar o segundo podcast (bandeiras das minorias).
Vamos la... quem eh minoria no Brasil? A resposta certa seria: ricos. Portanto politicas que favorecem bancos, empresários grandes, pessoas jurídicas, e os próprios políticos ou politicas internacionais econômicas são os verdadeiros governos da minoria. Um governo voltado pra pobre jamais será um governo de minorias independente de sua eficiência ou não. Politicas de cotas, por exemplo, são politicas de pobre, inclusão de gênero, reforma no sistema penitenciário, e tantas outras são todas politicas voltadas para os pobres. Lógico que seria ideal colocar esses pobres para trabalhar em grandes empresas e o governo deveria favorecer essas empresas, mas a prática é bem diferente. Os empresários, quanto mais crescem, mais elevam os requisitos acadêmicos e profissionais do seu corpo operacional e administrativo o que significa que as pessoas devem estudar mais para terem empregos e quem não atende isso fica na rua.

"Todos eramos iguais". Isso é raso demais, sempre fomos iguais (sempre fomos humanos) e somos iguais ainda hoje, mas socialmente diferentes e seria uma puta injustiça dizer que negros, brancos, homens, mulheres, e gays sempre foram iguais e que agora o PT segregou todo mundo. O PT revelou a verdadeira segregação enrustida. Os números são claros: mulheres ganham ate 33% a menos quando comparadas aos homens (ambos brancos); 82% dos negros são pobres; e o Brasil é o país que mais mata gays no mundo. Portanto, dizer que somos iguais é ignorar as regras pelas exceções. E realmente não se governa um povo pelas exceções. Mesmo ignorando isso tudo, digamos que não houvessem essas diferenças sociais (além das econômicas), apenas pobres e não pobres. Deveríamos tratar todos igualmente? Não é possível. Levanto um exemplo: seria justo colocar dois cachorros para correr e na chegada desta corrida teria um carneiro assado e só. Apenas um carneirinho assado. Destes cachorros, um deles foi treinado a vida inteira (3 anos) para correr, teve a ração certa para o crescimento dos músculos certos, teve treinamento, e ainda aprendeu a jogar o outro cachorro pra fora da pista como ninguém. O outro é um vira-lata que viveu a vida inteira (6 anos) na frente de um portão esperando os restos da casa porque ninguém o quis pela falta de raça. Qual cachorro ganha? Não sei, mas de qualquer forma a competição é muito injusta, mesmo que as condições da corrida em si sejam as mesmas. O fato de tratar com igualdade não denota igualdade em si. Isso quem tenta fazer é isonomia (tratar os iguais de forma igual). Lógico que não traz a igualdade total num primeiro momento, mas seria como pegar o vira-lata e dar abrigo, treinamento e comida e daí colocar para competir, talvez ainda perdesse, aliás, grandes chances que ainda perdesse, mas, pelo menos, seria um pouco mais justo e um pouco mais perto da verdadeira igualdade, ainda melhor se os filhotes desse cachorro vira-lata também tivessem esse treinamento e assim por diante até que se tenha treinamento e todas as outras condições iguais ao do cachorro de raça fodão la do começo da história. A desigualdade  com o cachorro de raça é visível, não nego, pois os donos do cachorro de raça tiveram que pagar pelo treinamento e tudo mais, porém torna-se justo ao ponto que para comer devem correr e para competir as condições devem ser, no mínimo equilibradas, caso não queiram reformular a corrida em si, devem propiciar justiça na competição, poxa! Isso acontece rapidamente? Claro que não, mas é a única forma de tornar justo. E políticas levam tempo para produzir efeitos mesmo, a maioria das boas politicas, pelo menos. Quando essas condições que propiciam a igualdade não acontecem, o que acontece é o vira-lata morder o cão de raça e tentar comê-lo, e provavelmente o faria pois que cachorro de raça tem chance de ganhar uma briga com um cachorro de rua que briga todo santo dia? Mas eis que aí entram os "juízes" da corrida separam a briga e julgam todos de forma igual. Pois aprenderam que as regras diziam: Sem morder! Mas não faz sentido. Isso não é igualdade, por mais que trate de forma igual, não são iguais no desempenho da corrida! E isso não é uma questão de mérito, pois não há mérito em ganhar fundamentado na total injustiça, afinal o mérito deriva da justeza(quão próximo esta uma coisa da outra) entre os competidores.

Trazendo os exemplos para a vida real: não devemos tratar todos como iguais por não serem iguais nem perante os olhos da sociedade nem do mercado de trabalho, muito menos judicialmente. Portanto o caminho para igualdade não deve ser a igualdade e sim a isonomia para alcançar igualdade. Isso já acontece com pequenos empresários, que tem benefícios enormes na contratação por órgãos públicos A lei complementar 123/2006 foi colocada no papel e na prática pelo Lula para favorecer os novos e pequenos empresários e nunca houve um "boom" tao grande nas pequenas iniciativas privadas igual ocorreu nesse período e até hoje quase todas as contratações por órgãos municipais são de ME (microempreendedor) e EPP (empresas de pequeno porte) e funciona, sendo que hoje 20% do PIB Brasileiro vem destas iniciativas e 60% dos empregos no Brasil! Não, não são as grandes empresas os grandes empregadores. Depois essas empresas crescem e vão para o mercado privado com "sustain" só pelo fato de receberem este incentivo. Cotas para negros (que 82% são pobres) colocaram 155 mil negros na faculdade com índice de abandono inferior a 3% quando na ampla concorrência esse mesmo índice é superior a 20%. Eles estão roubando nossas vagas? Não estão usando-as de maneira isonômica pra não dizer muito melhor. Detalhe interessante é que brancos não tiveram redução no ingresso do ensino superior, ou seja, praticamente ninguém "perdeu" vaga para o cotista. Tantas outras coisas que poderia colocar aqui para justificar porque as "bandeiras" devem existir, mas me pergunto o porquê e quando elas começaram a existir, quando a “direita” brasileira se levantou? Antes não era assim... para responder isso volto as mídias.... buscas simples ajudam a elucidar a questão, analise os resultados das seguintes imagens


O que isso pode dizer? Manipulação, sensacionalismo e idiotização são, hoje, recorrentes contra a "esquerda" por parte do movimento dito "direita" no âmbito popular e é algo moderno, antes ocorria o contrário: as grandes mídias e até mesmo nas escolas se tinha um cunho mais voltado para a esquerda (explosão do socialismo nos anos 80), e estas ideias faziam o mesmo processo contra a direita. 

Essa mudança é realmente uma iniciativa popular ou são, novamente apenas novas mídias entrando em ação com outros canais, mas com os mesmos patrocinadores? O que fez os valores conservadores liberais virem a tona, “massacrando” e idiotizando os valores intervencionistas progressistas. Por qual motivo estamos voltando? Os resultados não foram negativos. Mas por qual razão motivam os manipulam para parecerem atrasos na construção da cidadania? Repito, talvez não sejam os melhores resultados e talvez existam formas de obter números melhores, mas não são tão chulos assim como se prega nas mídias das redes sociais. O que acontece é muito maior do que “esquerda” e “direita”. Agora infiro minha opinião (pela primeira vez) de que isto é uma jogada de controle do avanço socioeconomico do país. Tem pobre passando de classe. -Vamos freá-los. Quando eles começarem a morrer de fome novamente damos outro governo assistencialista e populista, depois: Direita neles! E assim vai a dança: passo a frente, passo a trás. A dança que imita passos dos EUA, por coincidência. Obama, lula, Trump e Bolsonaro... Enfim isso é opinião (do último parágrafo até o final deste texto), mas todo o resto são fatos.

Quero dizer aqui que apesar de "tender" para o lado do Lula aqui nesse texto não concordo com dezenas questões em relação ao governo dele (principalmente na economia internacional e endividamento, pois apesar dos planos sociais serem voltado aos pobres, o plano econômico fortaleceu os grandes bancos), mas o que ele fez de bom não pode ser apagado pelo ridículo tão facilmente assim. Pessoas, independentemente de lados, fazem coisas boas e grandiosas, assim como Churchil, assim como Guevara, Gandhi, Fernando Henrique Cardoso, Alexandre o Grande, Malcolm X, Nelson Mandela, Thatcher, Nina Simone, Cleópatra, enfim, assim como Lula e principalmente assim como Marielle. Se eles erraram (aliás todos que citei aqui erraram sinistramente em algum momento de suas vidas) não precisamos lembrar apenas dos erros, lembremos da luta e da vontade que jamais deve ser apagada, pois nesse ponto não interessa o lado escolhido pelo leitor, as mudanças são necessárias e estas figuras representam a vontade desta mudança que carregamos hoje. Eles foram nossos exemplos, não precisam ser nossos ídolos, mas que sejam lembrados, se não podemos lembrar, comentar e lamentar o fim de todo mundo que morreu e morre todos os dias, pelo menos, os que representaram pessoas e ideias diferentes, que continuem representando através da lembrança e da continuidade da luta que nunca foi desnecessária ou inútil, no máximo contrária ao que tu acreditas, mas que mesmo assim te deixa aprendizado, que é o mais importante de tudo.