segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O silêncio do ser

escrito em 2016, mantido até agora por vergonha
E o resto, é silêncio:
Apenas as últimas palavras de Hamlet
Mas a muitos, preenche toda a rotina
Tento mudar refazendo erros em acertos
viro a página mas o marcador está colado
castro minhas vontades e aprisiono fantasmas
estudo minha integridade ao passo que desfaleço sem identidade
rezo para não cair, pois o vazio me acorda
E eu não quero acordar, se quando desperto, estiver sozinho

Assim o resto é silêncio
e é o único compensador,
O barulho vem de palavras:
Palavras, são só palavras
e sempre me faltam
A falta denotativa não agride
mas na subjetividade está o segredo

O tropeço da realidade que cai no mundo das ilusões
Uma artimanha da cabeça que pesa os ombros e apunhala o peito
Nunca "vi" a dor, mas não existe verbo que expresse algo tão sensato
O ceifador da paranoia merece uma imagem
Tamanha é sua presença tão eminente e real

O silêncio é a traição consigo mesmo
A voz gera o conflito com o mundo
Isolo meu ser e não traio ninguém além de mim,
Não trago também a mudança que espero no mundo
Antes a recompensa de mártir que o vazio de ninguém.

Mais luz! - As últimas palavras de Goethe
tão mais sensato que a figura literária shakespeariana
Se o resto é silêncio, que seja sob a luz
Buscar a iluminação é tarefa de monge
Ao menos se a subjetividade fosse real, fácil seria

Vários caminhos me levam ao mesmo lugar
Passearei e não objetivarei nada
quem sabe a luz guiará para onde devo ir
Iluminar-me-ei de amor
tenho fé que no final dessa guerra entre luz e escuridão
Estaremos nus de conceitos e violências
Seremos apenas calma e liberdade.

Somos quem podemos ser?
Seremos quem queremos ser?
O tempo é sempre importante
Ele silencia, mas nunca é silenciado.

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