sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Eu gostaria... John Mayer

Quando você encontra alguém pela primeira vez, você descobre que ela gosta de você antes de tudo. Um amigo de um amigo dessa pessoa diz que ele ou ela gosta mesmo de você e isso te mata, te derrota, te joga no chão. Você precisa se levantar do chão e daí você pega o telefone da pessoa e liga logo pra ela e você diz 'é, foi uma boa conversa por telefone, será que eu posso te ver um dia desses?'. E aí ela diz isso, ela diz: 'eu gostaria'. 'Eu gostaria' faz você cair no chão de novo. Seu coração está preste a parar por causa do 'eu gostaria'. Não há nada melhor do que 'eu gostaria'. Então agora sua pressão sangüínea não está normal. Você está a 7 palmos abaixo da terra. Você não consegue dormir por causa de 'eu gostaria'.Então daí vocês saem juntos por um tempo e vocês se ligam e conversam no telefone o tempo todo e daí você joga a bomba ou o que parece ser a bomba. Você diz, 'sabe de uma coisa? Eu tenho pensado muito em você'. E ela fica tipo 'haaaaugh!'. E você pergunta 'o que foi?!' e ela: 'desculpe. Eu só... eu só... eu só... É que - eu tenho pensado muito em você também'. BAM! Voando mais alto através do céu. Mas agora, 'eu gostaria'? Já era! Agora o negócio é 'estou pensando em você'.Depois, qualquer que seja o número de meses que passe, dizer isso te traz conforto, você diz 'preciso te dizer uma coisa'. Aí ela: 'o quê?'. Você diz 'eu estou apaixonado por você'. E nada no mundo soa melhor do que 'eu estou apaixonado por você'. E daí talvez ela comece a chorar ou talvez ele faça 'huuugh!'. E daí de repente você fica tipo 'tá pra mim'. Mas agora, o que não funciona? 'Eu gostaria' e 'eu tenho pensado em você'. Agora nós estamos em 'eu estou apaixonado por você'.E então talvez algum dia nós iremos para 'eu te amo'.Passando adiante, agora você está tipo 'eu te amo muito. Eu te amo mais do que qualquer coisa na vida'. Agora 'eu te amo' não funciona. Não passa da sua obrigação. E a coisa continua prosseguindo.
Avançando tipo seis meses, seis semanas, dependendo do caso. Agora você está tipo 'eu quero me casar com você. Eu quero te impregnar com meu amor. Eu quero - eu quero simplesmente enviar meu amor a você. Droga! Palavras não funcionam mais!'. E daí você usa essa frase e você sabe - você sabe que já usou essa frase antes. 'Eu só queria que colocassem uma nova palavra no dicionário que fosse maior do que amor, porque amor simplesmente não descreve o que eu sinto'.E então, agora ele ou ela começa a perguntar: 'você me ama?' E você começa, 'claro que eu te amo'. 'Bem, diga!'. E aí começa 'diga duas vezes' e depois 'diga isso três vezes'.E daí, você atravessa um ponto realmente interessante, onde de repente tudo se transforma em 'eu te odeio. Eu te odeio'. E você 'oh meu Deus, ela me odeia'. E agora passa para 'eu te odeio mais do que qualquer coisa!'. E aí fica tipo 'está tudo acabado entre nós!'. E a outra pessoa 'não, não está!'. E você 'sim, está!'.E agora as palavras completamente não funcionam mesmo. Não sobrou nada pra você. Você está dando socos embaixo d'água. Você já era! Você sabe qual é a moral da história - se é que existe uma? Nunca, nunca, nunca, jamais subestime o poder de 'eu gostaria’.
John Mayer

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ensaio sobre anjos, fantasmas, guerra e ócio

Play e leitura.... meio rápida pra fazer sentido
Parafraseando "soulstripper": queria que você tivesse me conhecido antes, não assim, desacreditado. Dá vontade de falar "desculpa, é que já passou alguém por aqui e levou tudo."


Quando começamos a perseguir nossas "Vênus" acreditamos que a vida é uma grande brincadeira e que esta busca tornaria a brincadeira em tarefa. Leve engano: torna-se ócio.
Da ilusão nasce a desilusão, mas nada faz Vênus desaparecer.
O poster ainda está lá. Não arranca da parede, mas continua na lembrança e da lembrança abusa.
Fantasmas que assombram com a dor e a agonia de sentir a nostalgia de ser tudo que nunca será e a impotência de não possuir ou ser tudo que sempre quis.
A liberdade se tornaria a própria prisão e não existe uma boa conduta que alivie este peso, enquanto viver, a vida encarcera, e a inconstante identidade se esvaí por entre as entranhas que gritam por não poder controlar esta tristeza de uma existência intrínseca, mas fajuta*.
Quem não gostaria de ser uma alma livre, um espírito que não conhece limites nem prisões? Mas enquanto viver, seremos presos à própria vida e os fantasmas são os malditos carcereiros que garantem esta prisão.
Chegamos a duvidar até mesmo da única coisa que podemos dar valor na vida. O amor perde o sentido quando uma ilusão.

MALDITOS FANTASMAS!


Ou seriam as grades?



 
Nada é tão raso e simples quanto viver, e é isso que transforma tudo que é imensurável e complexo. 
As prisões só podem existir na mente que não conhece a vontade e não exerce a força da própria bondade: o poder de deixar estar, sem deixar passar. Enquanto a potência não for dissipada, existirá uma luta a equilibrar, e no momento em que luta, a liberdade se mostra evidente, mesmo que efêmera.
Estas grades que nós mesmos forjamos, agora podem se desfazer. Quando entendemos que o objeto do desejo é independente da liberdade que devemos exercer para conquista-lo. Não é a liberdade que trará tudo nas  mãos, mas a bondade* que pode nos fazer entender as guerras que travamos.
Não há maior glória que o exercício da liberdade pela bondade. Unir liberdade, intensidade e beleza a um único ato: uma bela guerra que transforma fantasmas em anjos, carcereiros em companheiros de viagem e poder em equilíbrio.



Parafraseando "soulstripper": Que bom que me conheceu agora, mais experiente. Dá vontade de falar: "desculpa, é que já passaram alguéns por aqui e deixaram um pouco de tudo."




*Fajuta: de fraca qualidade.
*Bom: tudo que eleve no homem o sentimento de potência, a vontade de potência, a própria potência.
*Bondade: Qualidade de ser bom