"Medusa dos olhos teus
Meus outros "eus" voam sob meu telhado
Sou quem não era para ser
A ideia e o caminho trilhado:
Opostos temporais que minha vida habitam
Sigo errado, desesperado e desfeito
Pergunto se o final é como o meio
Meio completo no caminho inteiro
Vivendo na inocência do maldito ócio
Se a saída favorável à morte do desespero é nele afundar-me
Cá estou, de peito aberto no fundo de tudo
Mesmo que o êxito não seja o pretendido
Calmo, sereno, eterno
Fútil, vago, vazio
Caótico, vil, destruidor
Seja o que for, assim espero
A alma fraca que espera o tempo
Tempo que não passa
Alma que não completa
Fraco que não demanda
Dançamos a vida bêbados
Os olhos são meros códigos
Sensações são as maiores dúvidas
Estes nossos queridos delírios que amamos
Fantasmas que assombram o presente,
às custas de um passado maltratado
Nostalgia de ser tudo que nunca fomos
Mera ilusão, doce engano
Qual é a minha pira: pensei
ter-te por inteira: desconsiderei
Viver sempre quase completo: não me interessa
perder minha própria alma: estudo a recompensa
Porque mesmo com todo mal possível
quando de ti, a mim, vier,
Nada quero, senão goles grotescos
Embriaga-me, acompanha-me, engana-me
Mas, entretido, mantenha-me
Não quero guerra, nem anseio a paz
Espero tua prodigiosa beleza com máscaras ao chão
Para bem ou mal, apenas verdadeira
Os sentimentos que coram
Os lábios que libertam
os olhos que petrificam
MEDUSA dos olhos teus
Quero a nocividade que cura o tédio."
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