CAPÍTULO 1: O ÚLTIMO CAPÍTULO
Quando ouvimos a palavra amor, logo pensamos nas experiências que nos remetem ao conceito da palavra que é... alguma coisa... grande... que nós... sentimos. De qualquer jeito, algumas pessoas lembram-se de outra pessoa em especial, outras se lembram de Deus, outras ainda excentricamente lembram-se ou confundem-se (não cabe a mim julgar) com o ato que se popularizou como fazer amor, e outras pessoas, que como eu, conectam a palavra em destaque à própria solidão ou à pura falta da aplicação da palavra. Isso deveria ser no mínimo estranho.
Como pode alguém em sã consciência lembrar-se de algo que nunca teve. Pois é, não sou o primeiro e não serei o último. Creio que eu mesmo acabei por criar esta ilusão para me confortar de certos fatos. Isso acabou por fazer de mim, talvez, uma pessoa presa ao labirinto da superação na vida. Não sei exatamente quando foi que aconteceu essa criação espontânea de ilusão. E é incrível como isso pode te dominar rapidinho. Existe um termo francês que é muito discutido por filósofos e pensadores de todos os tempos que é o raizon d’être que no português significa razão de existir. Essa razão não é um simples porque da existência. Ora para responder isso bastaria um médico vir aqui e explicar como um corpo humano se mantém vivo e “voilà”! A raizon d’ètre é uma resposta da pergunta: para que existimos? Note que apesar da semelhança a pergunta, suas respostas são no máximo complementares, mas no mínimo totalmente diferentes. Nós temos a tendência de transformar nossas próprias ilusões em raizons d’ètre. Como se fossemos diferentes dos demais, como se fossemos os sensatos vivendo num bando de perdidos.
Hoje só posso lhes afirmar que continuo a me arrepender de muitas coisas. E para variar, assim como ao que a palavra amor me remete, também a causa do arrependimento não deva ter existido em momento algum, sendo portanto mais umas das brilhantes obras de minha quase lúcida mente. A situação em que me encontro não seria favorável a praticamente ninguém, a não ser que essa pessoa tenha sérios problemas, pois a morte não é algo que todos acordem desejando. Duas facadas no peito, um tiro na perna e uma queda de 4 metros de altura não fazem de mim uma pessoa exatamente alegre, mas por mais estranho do que esta história já possa parecer, esse momento me faz respirar... aliviado. Antes que você comece a viajar em devaneios, pensando que tenho tendências suicidas, não perca seu tempo. Exatamente neste momento sinto como se a ilusão que eu criara valesse a pena, exatamente neste momento sinto aquela coisa grande que todos nós sentimos, exatamente neste momento sinto a ilusão de amar, mas principalmente exatamente neste momento não sinto a presença tão constante em minha vida da própria morte. Que se abram alas para meu doce e sensato requiem.